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domingo, 9 de setembro de 2012

Análise de DNA mostra ponto forte de jogadores de futebol

Estudo feito com cem atletas das categorias de base do São Paulo identifica as diferentes aptidões em campo e pode orientar seu treinamento

Jean-Philip Struck
Jovens jogam futebol em Herat, Afeganistão
Jovens jogando futebol. Pesquisas mostram que variações de gene influencia desempenho de atletas                                     
Por que alguns jogadores são mais rápidos? E por que alguns parecem ter mais resistência do que outros? Entre as respostas mais comuns estão a intensidade e a eficiência do treinamento, a alimentação ou até mesmo a dedicação do atleta. Nos últimos anos, os cientistas passaram também a apostar na influência da genética. Nos Estados Unidos, já são comuns os exames que detectam pré-disposição para esportes. Alguns laboratórios oferecem até pelo correio testes de DNA para ajudar pais e treinadores a identificar atletas em potenciais.
Agora, um aluno de um programa de pós-graduação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) resolveu analisar o DNA de jogadores do São Paulo para procurar por mutações em um gene que influencia no desempenho físico. Segundo o pesquisador Thiago José Dionísio, que conduziu o estudo, esse tipo de análise pode ajudar os preparadores físicos a aperfeiçoar o treinamento dos atletas. Cem jogadores das categorias de base do clube foram submetidos aos exames.
Explosão ou resistência — Pesquisas anteriores mostraram que diferenças na forma de um gene chamado ACTN3 podem determinar se o atleta tem mais disposição para provas de explosão ou resistência, ou até mesmo para as duas coisas. É como descobrir pelo DNA se uma pessoa tem um corpo melhor para disputar uma prova de 100 metros rasos ou uma maratona de 42 quilômetros.
Segundo Dionísio, ao cruzar a análise do DNA dos atletas com dados sobre a performance deles em determinados exercícios, foi possível observar, como outros estudos já vêm apontando, que aqueles dotados de versões mais fortes desse gene têm mais força em momentos que exigem explosão e força muscular, que provocam mais contrações forçadas e repetidas.
Já os indivíduos que possuem mutação nesse gene podem apresentar um desempenho inferior em provas de explosão, mas têm melhor desempenho quando se trata de resistência. Segundo Dionísio, pelo menos 16% da população brasileira possui polimorfismo no gene ACTN3. Entre os jogadores do São Paulo submetidos ao teste, 14% mostraram a mutação.
A escolha de uma categoria de base para realizar o estudo, segundo o cientista, foi feita por causa dos hábitos dos jogadores. "Eles convivem juntos, comem a mesma coisa, dormem no mesmo horário, têm idades semelhantes. É um grupo ideal para analisar diferença genéticas", diz Dionísio ao site de VEJA. De acordo com pesquisador, esse tipo de análise no futuro poderá servir para que técnicos possam aperfeiçoar o treinamento individual e coletivo dos atletas.
O cientista afirma que esse tipo de análise ainda precisa de mais estudos para identificar outros tipos de polimorfismo que influenciam o desempenho do atleta. E alerta que esse tipo de análise não deve ser usado para excluir atletas (leia entrevista abaixo) segundo seu perfil genético. “Futebol é um esporte que exige cabeça, emoção e convívio. O gene estudado não influencia nisso”, diz.

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